As pessoas, quando querem, são cruéis e ácidas em seus comentários. Ouvi recentemente de uma pessoa de quem eu gosto: “Como está o trabalho?” Falei que estava tudo bem. Ela continuou: “Acaba se acostumando com o que é ruim”. Nessa hora não me segurei. Já ouvi muita coisa nessa vida e fiquei calado. Já engoli muitos sapos, não engulo mais.

Sem ofender, sem destratar, é preciso falar. Eu disse que ruim é estar desempregado, ruim é ser sustentado pelos outros e disse que tenho muita gratidão pelo meu emprego. Afinal, sou concursado e passei num concorrido concurso. 7.700 pessoas gostariam de ter chegado no lugar onde estou.

Ao final, pouco mais de 300 conseguiram passar. Foi uma luta enorme. Prova objetiva (duas vezes), subjetiva, teste físico, psicotécnico, investigação social, curso de formação e depois acampamento em frente ao Karnak para fazer o curso de formação e depois outra luta para ser nomeado.

Na verdade, quem tem que dar mais valor as nossas lutas somos nós mesmos. Os outros não fazem a menor ideia do que passamos para chegar onde chegamos. Sou grato por tudo em minha vida. E o cargo de agente penitenciário, hoje Policial Penal, pode não ter o mesmo glamour de outras carreiras policiais, mas é uma função tão digna quanto as demais e tem uma enorme importância para a segurança da sociedade.

Não é uma profissão que você escolhe. Você é escolhido. É missão! Com o passar do tempo venho tentando me encaixar, me encontrar nessa carreira tão difícil. Há muitos momentos em que me pergunto se isso é para mim mesmo. Mas há outros em que sinto estar fazendo a diferença com meu lado humano, leal e verdadeiro.

A Polícia Penal é uma carreira em construção, especialmente após a aprovação da Emenda Constitucional 104/2019, que a colocou como Órgão de Segurança Pública. É claro que merecemos uma melhor estrutura, melhor salário e melhores condições de trabalho. Isso é importante por demais.

Mas tão importante quanto isso é nós mesmos reconhecermos nosso devido valor e saber da nossa importância perante à sociedade. Quando visto minha farda de policial penal, sinto-me tão importante quanto um delegado ou um policial rodoviário federal. Todos têm sua importância e seu papel na sociedade.

Não me sinto diminuído por nada e nem por ninguém. Eu me valorizo. E enquanto policial penal eu for, vou dar o meu melhor e buscar fazer a diferença onde eu estiver.

Policial Penal Rinaldo Carvalho de Sousa

Rinaldo Carvalho de Sousa
Policial Penal no Estado do Piauí

1 COMENTÁRIO

  1. Infelizmente, ouvi de uma pessoa bem próxima, muito próxima mesmo que :” vc nunca vai sair deste teu EMPREGUINHO”; eu só respondi: “espero que não, pois é com ele que msntenho meus filhos há quase 20 anos”. Ñ sinto que uma profissão de delegado, promotor, juiz ou qualquer outra tenha mais “glamour” que o nosso. Para que o trabalho deles seja bem feito, depende da classe dos policiais penais. Quantos dias e noites passei fora de casa, longe dos meus filhos, sempre trabalhando em corredor ( pois minhas costas nunca foram largas)? Sempre seguindo as orientações dos/das superiores, pois assim o estatuto reza, claro, até o limite da legalidade. Ñ vou dizer que nasci para ser Policial Penal, seria a maior hipocrisia. Lá nos anos de 2001, resolvi fazer o concurso , pois estava separada e com duas crianças para criar. Me adaptei. As 24 horas, são 24 horas onde estou COMPLETAMENTE à disposição da cadeia, de onde tiro meu sustento e dos meus filhos.

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